Para que cotas se tem vala e camburão?

cotas
                                            Imagem retirada da internet

Está tudo bem.

É sempre corpo negro caído no chão.

É preto/pobre na vala, auto de resistência, política de extermínio.

Criança preta/pobre lotando abrigo.

Adulto preto/pobre entupindo presídio.

Fabricado destino. Vida descartável!

População descartada.

O jovem negro/pobre é a maior vítima de homicídio.

As estatísticas não comovem.

“Olha, não existe racismo!”

Se fosse um ciclista na Lagoa…

Mas está tudo bem.

“A carne mais barata do mercado”.

Preto/pobre embaixo de marquise, pedindo esmola.

E “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”

Preto/pobre na calçada, cheirando cola, usando crack.

Mas o problema são as cotas! As cotas!

Cotas que os filhos e as filhas da elite sempre tiveram.

A Academia é branca. Alguns intelectuais justificam

O sistema que se faz enquanto “máquina de moer gente”:

“Democracia racial”, “homem cordial”?

Aqui é meritocracia, dizem. Sobrevive o mais forte?

Sobrevive o historicamente privilegiado.

O colono imigrante europeu teve cotas

Para os filhos, ajuda do governo para comprar terras.

Os pretos, roubados da África, escravizados e desumanizados

tiveram tapa na cara! Hoje, tiro, porrada e bomba!

A lei de Terras (1908) institucionalizou a miséria

Dos negros recém “libertos”, “fudidos e mal pagos”

Que ainda “valem menos que as balas que os matam”

Sem terras, sem direitos, sem vida.

Habitaram os morros, terras de ninguém.

E inventaram as favelas, criaram inúmeras cidades na cidade.

Para depois serem removidos e perseguidos.

A terra de ninguém valorizou-se.

“Foram morar lá porque quiseram”.

A memória é seletiva.

Lembram-se do que interessa.

E não interessa nada

Que misture estes mundos

Tão bem distanciados: morro e asfalto.

Nada que pulverize as fronteiras.

Que questione os instituídos.

Não que as cotas sejam A resposta.

É medida paliativa. Provisória e insuficiente.

Preto/pobre estudando.

Estão tirando as vagas

Da elite que sempre teve

A Academia nas mãos.

Não é que a cota seja injusta.

O problema é para quem ela se destina.

Porque preto/pobre lota vala

Presídio, abrigo, camburão.

Só não pode lotar a Academia.

Mas está tudo bem.

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